9:41 100%
Anest · Stat
Clinical decision support
DM
Olá, Dra. Mirna
Protocolos offline ativos
PCR Perioperatória
RCP · Desfibrilação · AHA 2025
Peso do paciente
70 kg
70 kg
Hipertermia Maligna
Dantrolene · EMHG 2024
Anafilaxia
Epinefrina · AAGBI 2023
LAST
Lipofundin · ASRA 2023
CICO
Via aérea cirúrgica · DAS
Crise Hipertensiva
Urgência · Emergência
Broncoespasmo
Salbutamol · GINA 2024
Laringoespasmo
Manobra de Larson
IAM
STEMI · NSTEMI · ESC 2023
AVC Isquêmico
rtPA · Trombectomia
Escalas e Scores
RCRI · Caprini · SOFA · MELD
Hemorragia maciça
MTP 1:1:1 · TXA
Hipertermia Maligna
Hoje · 08:14
Broncoespasmo grave
Ontem · 14:37
Protocolos
Consulta IA
Histórico
Ajustes
‹ Protocols
Anest · Stat
Perioperative Cardiac Arrest
AHA 2025 · ACLS Guidelines
⚡ Shockable — VF / pVT
◎ Non-Shockable — PEA / Asystole
Elapsed
00:00
Cycle 1
Alerts: beep + vibration + screen flash
Clinical decision support only. In a real emergency: call for help first. This tool is a cognitive aid, not a substitute for trained judgment.
Immediate Seconds 0–30
1
Call for help · CPR immediately
Push hard ≥ 5 cm · 100–120/min · Full recoil · Minimize interruptions · Ratio 30:2 until advanced airway
2
Attach monitor / defibrillator · IV/IO access
Confirm VF/pVT on monitor · Charge defibrillator while CPR continues
3
⚡ SHOCK — Biphasic 200 J
Biphasic: 200 J (manufacturer recommendation) · Escalate if needed · Monophasic: 360 J · Minimize pre-shock pause · Resume CPR immediately
Shock Energy (AHA 2025)
Biphasic — 1st shock
200 J
Biphasic — subsequent
≥200 J (escalate)
Monophasic
360 J
2-min CPR cycle Repeat until ROSC or TOR
4
CPR 2 min · Check rhythm
After shock: resume CPR immediately for 2 min without checking pulse · Check rhythm at 2 min · If VF/pVT persists → shock again
5
Epinephrine 1 mg IV/IO
After failed initial defibrillation · Then every 3–5 min · Administer after shock, not before in shockable rhythms
Vasopressors — AHA 2025
Epinephrine IV/IO
1 mg every 3–5 min
Vasopressin
No advantage — avoid
High-dose epi
Not recommended
6
Antiarrhythmic — refractory VF/pVT
After 2nd failed shock · Amiodarone preferred · Lidocaine alternative
Antiarrhythmics — AHA 2025
Amiodarone 1st dose
300 mg IV bolus
Amiodarone 2nd dose
150 mg IV
Lidocaine 1st dose
1–1.5 mg/kg IV
Lidocaine 2nd dose
0.5–0.75 mg/kg IV
Parallel Throughout resuscitation
7
Advanced airway · Waveform capnography
ETI or SGA · Continuous waveform capnography · Once airway placed: 1 breath every 6 s with continuous compressions · EtCO₂ < 10 mmHg after 20 min → consider TOR
Reversible causes — 5H · 5T
💧Hypovolemia
🔋Tension pneumothorax
😮‍💨Hypoxia
❤️Tamponade, cardiac
⚗️H⁺ (acidosis)
☠️Toxins
🧪Hypo/hyperkalemia
🫁Thrombosis, pulmonary
🥶Hypothermia
🫀Thrombosis, coronary
Wigginton JG et al. Part 9: Adult Advanced Life Support. Circulation. 2025;152(suppl 2):S538–S577. doi:10.1161/CIR.0000000000001376
AHA 2025 — Epinephrine: 1 mg IV/IO every 3–5 min. Administer after initial defibrillation in shockable rhythms.
AHA 2025 — Biphasic shock ≥200 J first shock; escalate subsequent. Monophasic 360 J.
Immediate PEA · Asystole
1
Call for help · CPR immediately
Push hard ≥ 5 cm · 100–120/min · Full recoil · Minimize interruptions · Ratio 30:2 until advanced airway
2
IV/IO access · Epinephrine ASAP
Epinephrine as soon as feasible in non-shockable rhythms · Then every 3–5 min
Vasopressors — AHA 2025
Epinephrine IV/IO
1 mg — give ASAP
Repeat
Every 3–5 min
Vasopressin / High-dose
Not recommended
3
CPR 2 min · Check rhythm
Continue CPR 2 min · Check rhythm every 2 min · If rhythm converts to shockable → switch protocol
4
Treat reversible causes — 5H · 5T
Priority in PEA: Hypovolemia, Hypoxia, Tension pneumothorax, Tamponade, Thrombosis
5
Advanced airway · Waveform capnography
ETI or SGA · 1 breath every 6 s with continuous compressions · EtCO₂ < 10 mmHg after 20 min → consider TOR · Sudden EtCO₂ rise >10 mmHg = ROSC
Consider POCUS if trained — do not interrupt CPR
6
POCUS — reversible causes
If experienced operator available · Diagnose: tamponade, PE, hypovolemia, MI, aortic dissection · Do NOT interrupt CPR for POCUS
Reversible causes — 5H · 5T
💧Hypovolemia
🔋Tension pneumothorax
😮‍💨Hypoxia
❤️Tamponade, cardiac
⚗️H⁺ (acidosis)
☠️Toxins
🧪Hypo/hyperkalemia
🫁Thrombosis, pulmonary
🥶Hypothermia
🫀Thrombosis, coronary
Wigginton JG et al. Part 9: Adult Advanced Life Support. Circulation. 2025;152(suppl 2):S538–S577. doi:10.1161/CIR.0000000000001376
AHA 2025 — Non-shockable: epinephrine ASAP, then every 3–5 min. ETCO₂ <10 mmHg at 20 min = consider TOR.
AHA 2025 — POCUS may diagnose reversible causes if it does not interrupt CPR.
Protocolos
Protocolo · Crise metabólica
Hipertermia Maligna
Anest · Stat
Suporte clínico — não substitui julgamento médico. Em emergência real: chame ajuda antes de consultar qualquer dispositivo.
Selecionar guideline
ESA · EMHG 2024
European Society of Anaesthesiology
Glahn et al. · Br J Anaesth 2025
Dantrolene 2–2,5 mg/kg · máx 300 mg/bolus
Parar: PaCO₂ < 45 mmHg + T° em queda
Resfriamento: cristaloide 4–8°C · parar em 38,5°C
EMHG 2024 BJA 2025 CEDHIMA · MHAUS
ASA · MHAUS 2025
American Society of Anesthesiologists
MHAUS Emergency Therapy · mhaus.org
Dantrolene 2,5 mg/kg · repetir a cada 5 min
Parar: resolução clínica dos sinais
Resfriamento: múltiplas vias + parar em 38–38,5°C
MHAUS 2025 ASA MHAUS Hotline
Ambos os protocolos incluem dantrolene como tratamento específico.
As diferenças refletem critérios de dose e parada de cada guideline.
Hipertermia Maligna
Protocolo · Crise metabólica
HM — ESA · EMHG 2024
Anest · Stat
Emergência
Após Atendimento
Suporte clínico — não substitui julgamento médico.
Cronômetro de crise
00:00
Progresso 0 / 8 concluídos
Fase 1 Ação imediata — primeiros 60 seg
1
Parar agentes desencadeantes e chamar ajuda
Ações imediatas
Suspender todos os agentes voláteis (halogenados) e succinilcolina imediatamente
Declarar emergência — chamar ajuda e informar o cirurgião
Mudar para TIVA (anestesia total intravenosa)
Remover o vaporizador — não perder tempo trocando o circuito
Instalar filtros de carvão ativado nos ramos inspiratório e expiratório, se disponíveis
Hiperventilar com O₂ 100% a alto fluxo — volume-minuto 2–3× o normal
Qualquer paciente pode desenvolver HM durante ou após anestesia com agentes desencadeantes — mesmo com histórico de anestesias prévias sem intercorrências
2
Dantrolene — EMHG 2024
Dantrolene sódico EMHG 2024
2–2,5 mg/kg IV em bolus rápido · Dose máxima por bolus: 300 mg
Repetir a cada 10 min (ou o mais rápido possível se preparo levar mais de 10 min)
Continuar até: PaCO₂ < 45 mmHg com ventilação normal + temperatura em queda
Dose total necessária pode chegar a 1200 mg · Máximo: 10 mg/kg (pode ser excedido se necessário — reconsiderar diagnóstico diferencial)
Calculador — Dantrolene (EMHG)
Peso kg
Dantrium (20 mg/frasco) — diluir cada frasco em 60 mL de água estéril · Ryanodex (250 mg/frasco) — diluir em 5 mL de água estéril · Obter dantrolene de outras fontes se necessário
Fase 2 Tratamento sintomático — paralelo ao dantrolene
3
Tratar hipertermia
Resfriamento ativo EMHG 2024
2000–3000 mL de cristaloide gelado (4–8°C) IV
Compressas de gelo: axilas, virilha, pescoço
Dispositivos de resfriamento externo se disponíveis
Parar o resfriamento quando temperatura central < 38,5°C
Monitorar temperatura central continuamente — interromper resfriamento a 38,5°C para evitar hipotermia iatrogênica
4
Tratar hipercalemia
CaCl₂ Primeira linha
10 mL de CaCl₂ 10% IV lento · Se indisponível: gluconato de cálcio IV
Insulina + Glicose
10 UI de insulina regular em 50 mL de glicose 50% IV
Agonista β₂ adrenérgico
Salbutamol IV ou nebulizado · Adjuvante para redistribuição de K⁺
Bicarbonato de sódio
Apenas se pH < 7,2 · Ventilar para normocapnia como medida primária de acidose
Bloqueadores de canal de Ca²⁺ são CONTRAINDICADOS — podem causar colapso cardiovascular em associação com dantrolene
5
Tratar arritmias
Amiodarona Primeira linha
150 mg IV lento em 10 min · Repetir se necessário · Manutenção: 1 mg/min
Magnésio
2 g IV em 10–15 min · Adjuvante antiarrítmico
Betabloqueador
Propranolol · Metoprolol · Esmolol — se taquicardia persistir após correção de hipercalemia e acidose
Lidocaína e bloqueadores de canal de Ca²⁺ são CONTRAINDICADOS em HM
6
Débito urinário e proteção renal
Meta de diurese
Manter débito urinário > 1 mL/kg/h · Instalar sonda vesical
Medidas
Hidratação vigorosa com cristaloide
Furosemida se débito urinário insuficiente
Vigiar mioglobinúria — urina escura indica risco de lesão renal aguda
Mioglobinúria com débito urinário inadequado pode evoluir para insuficiência renal aguda — priorizar hidratação e diurese
Fase 3 Monitoração intensiva e hotlines
7
Monitoração e acesso
Acesso e monitoração invasiva
Cateter arterial + cateter venoso central
Gasometria arterial seriada: PaO₂, PaCO₂, pH, K⁺, glicose, lactato
CK e mioglobina sérica frequentes
Função renal, hepática e coagulação
Vigiar síndrome compartimental
Metas (EMHG 2024)
SpO₂ > 95% · EtCO₂ < 45 mmHg · Temperatura central < 38,5°C · pH > 7,35 · K⁺ < 6 mEq/L
8
Hotlines — consultar especialistas
Contatos de emergência HM
Brasil — CEDHIMA: (11) 5575-9873
Europa — EMHG: www.emhg.org/mh-units
EUA — MHAUS: 1-800-644-9737
Pacientes com suspeita de suscetibilidade a HM devem ser encaminhados a laboratório designado para confirmação diagnóstica após a alta
Monitorização
EtCO₂
< 45 mmHg
Temperatura central
A cada 5 min · meta < 38,5°C
SpO₂
> 95%
K⁺ sérico
< 6 mEq/L
pH arterial
> 7,35
CK e mioglobina
Seriados — vigiar rabdomiólise
Débito urinário
> 1 mL/kg/h
Cuidados Pós-Crise
Observação mínima — 24 h
UTI ou sala de recuperação com monitoração contínua por no mínimo 24 h
Se sinais de HM reaparecerem: repetir dantrolene 2–2,5 mg/kg IV a cada 10 min até regressão
Manter dantrolene disponível à beira do leito por 24 h pós-estabilização
Monitoração Laboratorial
CK seriada — pico em 12–24 h; monitorar até queda sustentada
Mioglobina sérica e urinária — vigiar lesão renal aguda
Função renal e hepática diária
Coagulação — risco de CIVD nas primeiras 24 h
Síndrome compartimental — avaliar membros com rigidez
Comunicação e Encaminhamento
Registrar no prontuário: agentes utilizados, cronologia dos sinais, doses de dantrolene e resposta
Informar paciente e família — suscetibilidade a HM é hereditária (autossômica dominante)
Encaminhar para teste de suscetibilidade em laboratório credenciado (EMHG/MHAUS)
Alertar familiares de primeiro grau — risco aumentado
Emitir alerta médico permanente no prontuário eletrônico
Checklist de controle
Todos os agentes voláteis suspensos e vaporizador removido
Dantrolene administrado — dose e via registradas
Temperatura central < 38,5°C
Hipercalemia tratada
Acidose corrigida (pH > 7,35)
Débito urinário > 1 mL/kg/h
Cateter arterial e venoso central instalados
Hotline consultada (CEDHIMA / EMHG / MHAUS)
Transferência para UTI realizada
Paciente e família informados — encaminhamento genético agendado
Referências
Glahn KPE, Girard T, Hellblom A, et al. Recognition and management of a malignant hyperthermia crisis: updated 2024 guideline from the European Malignant Hyperthermia Group. Br J Anaesth. 2025;134(1):221–223.
Glahn KPE, Bendixen D, Girard T, et al. Availability of dantrolene for the management of malignant hyperthermia crises: EMHG guidelines. Br J Anaesth. 2020;125:133–140.
Saltzman LS, Kates RA, Corke BC, et al. Hyperkalemia and cardiovascular collapse after verapamil and dantrolene. Anesth Analg. 1984;63:473–478.
Rubin AS, Zablocki AD. Hyperkalemia, verapamil, and dantrolene. Anesthesiology. 1987;66:246–249.
Hipertermia Maligna
Protocolo · Crise metabólica
HM — ASA · MHAUS 2025
Anest · Stat
Emergência
Após Atendimento
Suporte clínico — não substitui julgamento médico.
Cronômetro de crise
00:00
Progresso 0 / 8 concluídos
Fase 1 Ação imediata — primeiros 60 seg
1
Parar agentes desencadeantes e chamar ajuda
Ações imediatas
Suspender todos os agentes voláteis (halogenados) e succinilcolina imediatamente
Declarar emergência — chamar ajuda e informar o cirurgião
Mudar para TIVA (anestesia total intravenosa) — propofol é seguro
Remover o vaporizador se possível · Substituir o circuito respiratório
Hiperventilar com O₂ 100% a alto fluxo (≥ 10 L/min) — aumentar volume-minuto
Ligar para a Hotline MHAUS: 1-800-644-9737
HM pode ocorrer durante ou após a exposição aos agentes desencadeantes, mesmo em pacientes com anestesias prévias sem intercorrências
2
Dantrolene — ASA · MHAUS 2025
Dantrolene sódico MHAUS 2025
2,5 mg/kg IV em bolus rápido (dose inicial)
Repetir a cada 5 min se os sinais persistirem
Continuar até resolução clínica: queda da temperatura, normalização da EtCO₂, redução da rigidez
Não há teto fixo de dose por bolus — administrar o necessário
Dose total habitualmente necessária: 2,5–10 mg/kg
Calculador — Dantrolene (MHAUS)
Peso kg
Dantrium (20 mg/frasco) — diluir cada frasco em 60 mL de água estéril · Ryanodex (250 mg/frasco) — diluir em 5 mL de água estéril · Acionar equipe auxiliar para preparo contínuo dos frascos
Fase 2 Tratamento sintomático — paralelo ao dantrolene
3
Tratar hipertermia
Resfriamento ativo MHAUS 2025
Cristaloide frio IV (temperatura ambiente se gelado indisponível)
Lavagem vesical e/ou nasogástrica com solução salina gelada
Cobertores de resfriamento superficial
Compressas de gelo: axilas, virilha, pescoço
Parar o resfriamento quando temperatura central ≤ 38–38,5°C
Monitorar temperatura central continuamente — interromper resfriamento entre 38,0–38,5°C para evitar hipotermia iatrogênica
4
Tratar hipercalemia
CaCl₂ Primeira linha
10 mL de CaCl₂ 10% IV lento · Se indisponível: gluconato de cálcio IV
Insulina + Glicose
10 UI de insulina regular em 50 mL de glicose 50% IV
Bicarbonato de sódio
Apenas se pH < 7,2 · 1–2 mEq/kg IV · Ventilar agressivamente para correção de acidose respiratória
Bloqueadores de canal de Ca²⁺ são CONTRAINDICADOS — podem causar hipercalemia grave e colapso cardiovascular com dantrolene
5
Tratar arritmias
Amiodarona Primeira linha
150 mg IV lento em 10 min · Repetir se necessário · Manutenção: 1 mg/min
Magnésio
2 g IV em 10–15 min · Adjuvante antiarrítmico
Betabloqueador
Esmolol ou metoprolol se taquicardia persistir após correção de hipercalemia e acidose
Bloqueadores de canal de Ca²⁺ são CONTRAINDICADOS · Procainamida e lidocaína devem ser evitados
6
Débito urinário e proteção renal
Meta de diurese
Manter débito urinário > 1 mL/kg/h · Instalar sonda vesical
Medidas
Hidratação vigorosa com cristaloide
Furosemida se débito urinário insuficiente apesar de boa hidratação
Vigiar mioglobinúria — urina escura indica risco de IRA
Rabdomiólise é frequente — priorizar hidratação e diurese para proteção renal
Fase 3 Monitoração intensiva e hotline
7
Monitoração e acesso
Acesso e monitoração invasiva
Cateter arterial + cateter venoso central
Gasometria arterial seriada: PaO₂, PaCO₂, pH, K⁺, glicose, lactato
CK sérica frequente — pico em 12–24 h
Função renal, hepática e coagulação
Vigiar síndrome compartimental
Metas (MHAUS 2025)
SpO₂ > 95% · EtCO₂ < 45 mmHg · Temperatura central ≤ 38,5°C · pH > 7,35 · K⁺ < 6 mEq/L · Diurese > 1 mL/kg/h
8
Hotline MHAUS — consultar especialistas
Contatos de emergência HM
EUA — MHAUS Hotline: 1-800-644-9737 (24h/7d)
Brasil — CEDHIMA: (11) 5575-9873
Online: mhaus.org — Emergency Therapy Guide
A hotline da MHAUS oferece suporte em tempo real com especialistas em HM durante a crise — ligar precocemente
Monitorização
EtCO₂
< 45 mmHg
Temperatura central
A cada 5 min · meta ≤ 38,5°C
SpO₂
> 95%
K⁺ sérico
< 6 mEq/L
pH arterial
> 7,35
CK e mioglobina
Seriados — vigiar rabdomiólise
Débito urinário
> 1 mL/kg/h
Cuidados Pós-Crise
Observação mínima — 24 h
UTI ou sala de recuperação com monitoração contínua por no mínimo 24 h
Recorrência em até 25% dos casos — manter dantrolene disponível à beira do leito
Se sinais de HM reaparecerem: repetir dantrolene 2,5 mg/kg IV a cada 5 min
Dantrolene de manutenção: 1 mg/kg IV a cada 6 h por 24–48 h (MHAUS)
Monitoração Laboratorial
CK seriada — pico em 12–24 h; monitorar até queda sustentada
Mioglobina sérica e urinária — vigiar lesão renal aguda
Função renal e hepática diária
Coagulação — risco de CIVD nas primeiras 24 h
Síndrome compartimental — avaliar membros com rigidez muscular
Comunicação e Encaminhamento
Registrar no prontuário: agentes utilizados, cronologia dos sinais, doses de dantrolene e resposta
Informar paciente e família — suscetibilidade a HM é hereditária (autossômica dominante)
Encaminhar para teste de suscetibilidade — CHCT (contracture test) ou teste genético
Alertar familiares de primeiro grau — rastreamento recomendado
Emitir alerta médico permanente no prontuário eletrônico
Reportar caso à MHAUS: mhaus.org/report-a-case
Checklist de controle
Todos os agentes voláteis suspensos e vaporizador removido
Dantrolene administrado — dose e via registradas
Temperatura central ≤ 38,5°C
Hipercalemia tratada
Acidose corrigida (pH > 7,35)
Débito urinário > 1 mL/kg/h
Cateter arterial e venoso central instalados
Hotline MHAUS consultada (1-800-644-9737)
Transferência para UTI realizada
Dantrolene de manutenção prescrito (1 mg/kg a cada 6h × 24–48h)
Paciente e família informados — encaminhamento para CHCT/teste genético
Referências
Malignant Hyperthermia Association of the United States (MHAUS). Emergency Therapy for Malignant Hyperthermia. mhaus.org. Atualizado 2025.
Rosenberg H, Pollock N, Schiemann A, Bulger T, Stowell K. Malignant hyperthermia: a review. Orphanet J Rare Dis. 2015;10:93.
Saltzman LS, Kates RA, Corke BC, et al. Hyperkalemia and cardiovascular collapse after verapamil and dantrolene. Anesth Analg. 1984;63:473–478.
Rubin AS, Zablocki AD. Hyperkalemia, verapamil, and dantrolene. Anesthesiology. 1987;66:246–249.
Protocolos
Protocolo · Choque
Anafilaxia
Anest · Stat
Suporte clínico — não substitui julgamento médico. Em emergência real: chame ajuda antes de consultar qualquer dispositivo.
Ações imediatas
1
Remover gatilho — suspender drogas, látex, hemoderivados.
2
O₂ 100% — ventilar manualmente; tratar broncoespasmo se presente.
3
Suspender anestésicos inalatórios — interferem na resposta compensatória ao colapso cardiovascular.
4
Epinefrina IV — bolus de 5–10 mcg titulados até restaurar PA. Ver doses abaixo.
5
Expansão volêmica — cristaloide 25–50 mL/kg IV rápido; repetir se hipotensão persistir.
6
Difenidramina 0,5–1 mg/kg IV lento — infundir devagar para evitar hipotensão adicional.
7
Hidrocortisona 0,25–1 g IV — adjuvante; não substitui epinefrina.
8
Solicitar triptase — ver protocolo de coleta abaixo.
9
Antes de extubar: testar air leak após desinsuflar o cuff — edema laríngeo pode estar presente.
Doses · Paciente 70 kg
Epinefrina — dose calculada
Bolus IV (5–10 mcg, titulado)
0,05–0,1 mL (1:10.000)
Infusão IV (0,05–0,1 mcg/kg/min)
3,5–7 mcg/min
Cristaloide
Dose inicial IV rápida
25–50 mL/kg → 1.750–3.500 mL
Repetir 25–50 mL/kg se hipotensão persistir. Hipovolemia de até 40% do volume intravascular pode ocorrer.
Difenidramina
Dose IV lenta (0,5–1 mg/kg)
35–70 mg
Infundir lentamente — pode causar hipotensão adicional em paciente hipovolêmico.
Hidrocortisona
Dose IV
0,25–1 g
Adjuvante para broncoespasmo ou choque refratários. Pode atenuar reação bifásica.
Vasopressina — hipotensão refratária
Diluição
20 UI em 100 mL SF → 0,2 UI/mL
Infusão IV
3–12 mL/h
Considerar quando epinefrina insuficiente. Evitar dopamina.
Norepinefrina — alternativa
Infusão IV (0,05–0,1 mcg/kg/min)
3,5–7 mcg/min
Para hipotensão refratária por resistência vascular reduzida.
Triptase — coleta
Tubo seco (tampa vermelha) · 3 coletas
T0 — na reação ou imediatamente após
T1–2h — 1 a 2 horas após a reação (pico)
T24h — 24 horas após (basal). Pode ser coletada post-mortem.
Monitorização
PA
Contínua — arterial invasiva
SpO₂
> 95%
FC
50–100 bpm
EtCO₂
35–45 mmHg
Débito urinário
> 0,5 mL/kg/h
Atenção
Anafilaxia é bifásica — recrudescência em 12–24h após resolução inicial. Transferência obrigatória para CTI para monitorização mínima de 24h.
Escalada
Hipotensão refratária à epinefrina → vasopressina ou norepinefrina
Broncoespasmo grave → salbutamol via TOT; ipratrópio se beta-bloqueado
PCR → ACLS completo; considerar VA-ECMO se choque refratário
Edema laríngeo → manter intubado até regressão; testar air leak antes de extubar
Checklist de controle
Gatilho removido
Anestésicos inalatórios suspensos
Epinefrina IV administrada e titulada
Expansão volêmica iniciada
Difenidramina administrada
Hidrocortisona administrada
Triptase T0 coletada
Triptase T1–2h coletada
Air leak testado antes de extubar
Transferência para CTI realizada
Triptase T24h agendada
Referências
Levy JH. ASA Refresher Course Lectures 2024 — Anaphylaxis, Allergy, and Adverse Drug Reactions
Tacquard C, Iba T, Levy JH. Anesthesiology 2023;138(1):100–110 — Perioperative Anaphylaxis
AAGBI Anaphylaxis Guidelines 2023
WAO Anaphylaxis Guidelines 2020
Protocolos
Protocolo · Toxicidade sistêmica
LAST
Local Anesthetic Systemic Toxicity
Anest · Stat
Emergência
Após Atendimento
Suporte clínico — não substitui julgamento médico. Em emergência real: chame ajuda antes de consultar qualquer dispositivo.
Cronômetro de crise
00:00
Progresso 0 / 5 concluídos
Fase 1 Ação imediata — primeiros 60 seg
1
Parar a injeção e chamar ajuda
Ações imediatas
Interromper imediatamente a infusão/injeção do anestésico local
Chamar ajuda — acionar equipe de emergência
Solicitar: carrinho de emergência · Lipofundin 20% (Emulsão Lipídica)
O diagnóstico é clínico e imediato — não aguardar confirmação laboratorial para iniciar tratamento
2
Via aérea e ventilação
Hiperventilar com O₂ a 100%
Máscara com reservatório ou ventilação com pressão positiva · Intubar precocemente se rebaixamento de consciência ou convulsão persistente · Evitar hipóxia e acidose — agravam a cardiotoxicidade
Hipóxia e acidose potencializam a toxicidade cardíaca dos anestésicos locais — corrigi-las é prioridade paralela
Fase 2 Controle de convulsões e arritmias
3
Convulsões
Benzodiazepínico Primeira linha
Midazolam 0,05–0,1 mg/kg IV · ou Diazepam 0,1–0,2 mg/kg IV
Propofol Se refratário
Até 20 mL (200 mg) IV em doses fracionadas · Atenção: pode agravar depressão cardiovascular — usar com cautela
Evitar doses elevadas de propofol em pacientes com instabilidade hemodinâmica — priorizar benzodiazepínico
Fase 3 Emulsão lipídica e ressuscitação
4
Emulsão Lipídica 20% — Lipofundin
Esquema de dose
< 70 kg: Bolus 1,5 mL/kg IV em 2–3 min · Manutenção 0,25 mL/kg/min
≥ 70 kg: Bolus 100 mL IV em 2–3 min · Manutenção 250 mL em 15–20 min
Manter infusão por até 15 min após estabilidade hemodinâmica
Calculador — Lipofundin 20%
Peso kg
Se parada cardíaca: pode repetir bolus até 3×. Dose máxima total: 12 mL/kg nos primeiros 30 min
5
Ajustes na ressuscitação
Adrenalina — dose reduzida
Diluir 1 ampola (1 mg/mL) em 19 mL de SF → solução 50 µg/mL
Administrar 0,5–1,0 mL IV (= 25–50 µg) · Repetir conforme resposta
Doses menores que no PCR convencional — evitar doses altas
Fármacos Contraindicados
Vasopressina · Bloqueadores de canal de Ca²⁺ · Betabloqueadores · Lidocaína
— agravam a depressão cardiovascular e/ou competem com a terapia lipídica
Se PCR refratária: considerar bypass cardiopulmonar (ECMO) — acionar equipe precocemente
Monitorização
SpO₂
> 95%
ECG contínuo
Vigiar arritmias
PA invasiva
PAM > 65 mmHg
EtCO₂
35–45 mmHg
Gasometria
pH > 7,35
Escalada
PCR refratária à emulsão lipídica → ECMO / bypass cardiopulmonar
Arritmia refratária → amiodarona 150 mg IV lento (evitar lidocaína)
Transferir para UTI após estabilização — observação mínima 4–6 h
Notificar anestesiologista responsável e registrar o anestésico local envolvido
Cuidados Pós-Evento
Observação e Monitoração
UTI ou área de observação intensiva — mínimo 4–6 h após estabilização
ECG seriado — vigiar alargamento de QRS, arritmias tardias
Gasometria arterial — confirmar resolução de acidose
Função renal — lipofundin pode interferir em exames laboratoriais (triglicérides, amilase)
Recrudescência
LAST pode recrudescer após aparente estabilização — manter lipofundin disponível por 12 h
Se reaparecimento de sinais: repetir bolus de emulsão lipídica imediatamente
Comunicação e Registro
Registrar no prontuário: anestésico local utilizado, dose, via, sinais iniciais e cronologia
Informar paciente e família sobre o evento e implicações para procedimentos futuros
Notificar à ANVISA / sistema de farmacovigilância institucional
Considerar alerta de alergia/sensibilidade no prontuário eletrônico
Checklist de controle
SpO₂ e PA estáveis por > 30 min
ECG sem arritmias ou alterações de condução
Gasometria com pH normalizado
Lipofundin mantido disponível por 12 h
Evento registrado no prontuário
Paciente/família informados
Notificação à farmacovigilância realizada
Referências
Neal JM, et al. ASRA Practice Advisory on Local Anesthetic Systemic Toxicity. Reg Anesth Pain Med. 2018;43(2):113–123.
Barrington MJ, Kluger R. Ultrasound guidance reduces the risk of local anesthetic systemic toxicity. Reg Anesth Pain Med. 2013;38(4):289–297.
Weinberg GL. Lipid emulsion infusion: resuscitation for local anesthetic and other drug overdose. Anesthesiology. 2012;117(1):180–187.
AAGBI. Management of Severe Local Anaesthetic Toxicity. AAGBI Safety Guideline. 2010 (rev. 2023).
Gitman M, Barrington MJ. Local Anesthetic Systemic Toxicity. Reg Anesth Pain Med. 2018;43(2):124–130.
Protocolos
Protocolo · Via aérea
Broncoespasmo Grave
Anest · Stat
Emergência
Após Atendimento
Suporte clínico — não substitui julgamento médico. Em emergência real: chame ajuda antes de consultar qualquer dispositivo.
Progresso 0 / 11 concluídos
Fase 1 Resposta imediata — primeiros 2–3 min
1
Reconhecer e pedir ajuda
Sinais clínicos
↑ Pressão de via aérea · ↓ Volume corrente · Sibilância · Hipoxemia progressiva · Capnografia: curva com inclinação para a direita
Ações imediatas
Chamar ajuda · Confirmar posição do TOT · Desconectar circuito brevemente (expiração passiva) · Aumentar FiO₂ para 1,0
Excluir outras causas: pneumotórax · intubação seletiva · obstrução de TOT · anafilaxia
2
Aprofundar anestesia — Sevoflurano
Sevoflurano
Aumentar a concentração progressivamente · Mecanismo: bloqueio do reflexo de via aérea e ação direta no músculo liso brônquico
Desflurano e isoflurano são irritantes das vias aéreas — evitar. Propofol IV é alternativa com propriedades broncodilatadoras.
3
Salbutamol inalatório
Salbutamol (Albuterol) — MDI via circuito
8–10 puffs via adaptador no cotovelo do circuito anestésico · Repetir a cada 10 min se FC dentro de limites aceitáveis
Deposição no TOT reduz a dose entregue — use 8–10 puffs. Monitorar taquicardia e hipocalemia.
4
Adrenalina IV — broncoespasmo refratário
Adrenalina (Epinefrina) IV em bolus
Se broncoespasmo grave ou SpO₂ < 80%:
1–2 µg/kg IV em bolus lento · Repetir com doses crescentes a cada 3–5 min
Calculador — Adrenalina 1–2 µg/kg
Peso kg
Dose para broncoespasmo isolado — NÃO confundir com dose de anafilaxia (100–200 µg IV)
Preparar solução 1:100.000: diluir 1 mL de adrenalina 1 mg/mL em 99 mL de SF 0,9% → 10 µg/mL
5
Ajustar ventilação mecânica — reduzir auto-PEEP
Parâmetros ventilatórios
↓ FR: 8–10 irpm (prolonga tempo expiratório) · ↓ VC: 6 mL/kg peso ideal · I:E 1:3 a 1:4 · PEEP extrínseca: mínima ou zero · Tolerar hipercapnia permissiva (PaCO₂ até 60–70 mmHg se pH > 7,20)
Auto-PEEP é a principal causa de hipotensão e parada cardíaca em asmáticos ventilados — desconectar da ventilação mecânica se PA colapsar.
Fase 2 Refratário — 5–15 min
6
Ketamina IV
Ketamina
1–2 mg/kg IV em bolus lento · Broncodilatação via estimulação simpática e ação direta no músculo liso brônquico · Manutenção: 0,5 mg/kg/h
Calculador — Ketamina
Peso kg
Aumenta secreções — associar glicopirrolato ou atropina. Pode elevar PA — monitorar em HAS grave.
7
Sulfato de Magnésio IV
MgSO₄
25–50 mg/kg IV em bolus lento (10–15 min) · Mecanismo: ↓ cálcio pré-sináptico → ↓ liberação de acetilcolina → broncodilatação independente do receptor β₂
Calculador — MgSO₄
Peso kg
8
Corticosteroide IV
Metilprednisolona Primeira linha
1–2 mg/kg IV · Máx 125 mg · Maior potência glicorticóide · Preferida nas diretrizes de emergência (GINA 2024, ABEM 2024)
Alternativa: Hidrocortisona
200 mg IV em bolus · Efeito anti-inflamatório — início em 1–2 h
Fase 3 Status asmático — medidas extremas
9
Salbutamol IV (se disponível)
Salbutamol IV em infusão contínua
5–10 µg/min · Titular até resposta ou FC limitante · Disponibilidade variável por instituição
Monitorar: hipocalemia · hiperglicemia · taquicardia. ECG contínuo obrigatório.
10
Adrenalina IV em infusão contínua
Adrenalina — infusão contínua
Se refratário a bolus e demais medidas:
0,05–0,3 µg/kg/min IV · Titular a cada 5 min · ECG contínuo obrigatório
Calculador — Infusão contínua
Peso kg
11
Ventilação protetora + considerar ECMO
ECMO V-V
Considerar se hipoxemia refratária a despeito de todas as medidas · Acionar equipe de ECMO precocemente — não aguardar deterioração terminal
Monitoração e Cuidados Pós-Evento
Ventilação e Gases
Gasometria arterial — avaliar PaCO₂, pH e lactato
Manter estratégia de baixa FR e alto tempo expiratório até reversão completa
Extubação somente após broncoespasmo completamente resolvido e SpO₂ estável
Monitoração Metabólica
Glicemia — salbutamol e adrenalina causam hiperglicemia
Potássio — salbutamol causa hipocalemia por shift intracelular
ECG — monitorar arritmias pós-adrenalina
Magnésio sérico — repor se < 1,5 mg/dL
Plano de Manutenção
Salbutamol inalatório a cada 4–6 h nas primeiras 24 h
Corticosteroide IV por 24–48 h (hidrocortisona 50 mg 6/6 h ou equivalente)
Discutir com pneumologia — otimização do esquema de base
Registrar o evento no prontuário com cronologia, doses e resposta
Comunicação e Seguimento
Comunicação ao Paciente e Família
Informar sobre o evento intraoperatório e medidas tomadas
Orientar sobre documentação do evento para futuros procedimentos
Recomendar consulta com alergologista/pneumologista
Prevenção em Procedimentos Futuros
Documentar: agente desencadeante, cronologia, fármacos utilizados e resposta
Ponderar anestesia regional como alternativa
Pré-medicação: salbutamol inalatório 15–30 min antes da indução
Preferir propofol para indução em pacientes de alto risco
Checklist de controle
SpO₂ recuperada e estável acima de 95%
Gasometria arterial colhida
Potássio e glicemia verificados
ECG realizado pós-adrenalina
Corticosteroide IV prescrito para 24–48 h
Evento registrado no prontuário
Família informada e seguimento agendado
Referências
GINA 2024 — Global Initiative for Asthma. Global Strategy for Asthma Management and Prevention. gina.asthma.com
Khara B, Tobias JD. Perioperative care of the pediatric patient and an algorithm for the treatment of intraoperative bronchospasm. J Asthma Allergy. 2023;16:649–660.
Du J, Tobias JD. Intraoperative care of severe bronchospasm. Paediatr Anaesth Crit Care J. 2021.
Woods BD, Sladen RN. Perioperative considerations for the patient with asthma and bronchospasm. Br J Anaesth. 2009;103 Suppl 1:i57–65.
Dewachter P, Mouton-Faivre C, Emala CW. Anaphylaxis and anesthesia. Anesthesiology. 2009;111(5):1141–1150.
Ur Rehman I, et al. Efficacy of IV hydrocortisone versus methylprednisolone in acute severe asthma. History of Medicine. 2024;10(2):2082–2086.
StatPearls. Positive End-Expiratory Pressure. NCBI Bookshelf. Updated 2025.
Rossi A, Polese G. Intrinsic positive end-expiratory pressure. Breathe. 2013;9(4):292–303.
Protocolos
Protocolo · Via aérea
Laringoespasmo
Anest · Stat
Suporte clínico — não substitui julgamento médico. Em emergência real: chame ajuda antes de consultar qualquer dispositivo.
Ações imediatas
1
Jaw thrust + CPAP com O₂ a 100% via máscara facial — pressão 30–40 cmH₂O
2
Remover estímulo desencadeante. Aspirar secreções da orofaringe.
3
Manobra de Larson: pressão bilateral na depressão atrás do lóbulo da orelha, em sentido cranial.
4
Se hipoxemia > 30–60 seg: administrar succinilcolina ou propofol.
5
Intubar se oxigenação não restaurada após succinilcolina.
6
Pós-resolução: vigiar edema pulmonar pós-obstrutivo — CPAP/PEEP se necessário.
Doses · Paciente 70 kg
Succinilcolina — dose calculada
Subparalyzing IV (0.1–0.5 mg/kg)
7–35 mg
Dose plena IV (1.0–1.5 mg/kg)
70–105 mg
Propofol
Dose subhipnótica IV
0.5 mg/kg → 35 mg
Alternativa à succinilcolina em laringoespasmo leve.
Monitorização
SpO₂
> 95%
EtCO₂
35–45 mmHg
FC
50–100 bpm
Ausculta pós-resolução
Vigiar crepitações
Escalada
Hipoxemia persistente após succinilcolina → intubar imediatamente
Edema pulmonar pós-obstrutivo → UTI para suporte ventilatório
PCR → ativar protocolo de PCR perioperatória
Checklist de controle
Estímulo removido e orofaringe aspirada
CPAP O₂ 100% aplicado com pressão adequada
Manobra de Larson realizada
Succinilcolina ou propofol administrado (dose e via registradas)
SpO₂ recuperada acima de 95%
Ausculta pós-resolução realizada
Edema pulmonar pós-obstrutivo descartado ou tratado
Referências
Chung DC & Rowbottom SJ. Anaesthesia 1993;48(3):229–30 — Dose subparalyzing de succinilcolina no laringoespasmo
Orliaguet G et al. Anesthesiology 2012 — Laringoespasmo pediátrico e adulto
Gavel G & Walker RWM. Anaesthesia 2014 — Manejo e prevenção
DAS Difficult Airway Guidelines 2015 (atualizado)
Protocolos
Protocolo · Cardiovascular
Crise Hipertensiva
Anest · Stat
⚡ Urgência
🔴 Emergência
Após Atendimento
Suporte clínico — não substitui julgamento médico.
Urgência Hipertensiva
PA sistólica > 180 mmHg e/ou diastólica > 120 mmHg sem lesão aguda de órgão-alvo (LOA).
Redução gradual em 24–48 h — evitar queda brusca.
Meta de PA
Redução nas primeiras horas
Máx 25% nas primeiras 2 h
Meta em 24–48 h
< 160/100 mmHg
Ritmo de queda
Gradual — não forçar normalização
Conduta
Abordagem geral
Medidas imediatas
Repouso em ambiente calmo · Monitorização contínua de PA · Acesso venoso periférico · Avaliar causas reversíveis: dor, retenção urinária, ansiedade, suspensão de anti-hipertensivo
Captopril SL / VO 1ª linha
25 mg SL ou VO · Repetir em 30–60 min se necessário · Início de ação: 15–30 min
Clonidina VO
0,1–0,2 mg VO · Repetir 0,1 mg/h até máx 0,6 mg · Útil em pós-operatório
Labetalol VO
100–200 mg VO · Opção em pacientes com taquicardia associada
Nifedipina de ação rápida SL está contraindicada — risco de hipotensão grave e AVC isquêmico (AHA/ACC 2017)
Urgência hipertensiva assintomática perioperatória: avaliar se a elevação é reativa ao estresse cirúrgico antes de medicar agressivamente
Suporte clínico — não substitui julgamento médico.
Emergência Hipertensiva
PA elevada com lesão aguda de órgão-alvo confirmada ou iminente. Exige tratamento IV imediato em ambiente de monitorização intensiva.
Selecionar cenário clínico
🧠
Encefalopatia / AVC Hemorrágico
NIHSS · LOC
🩸
AVC Isquêmico
Trombólise · Intervenção
❤️
SCA
IAM · Angina instável
🫁
Edema Agudo de Pulmão
Congestão · Hipoxemia
🔪
Dissecção Aórtica
Tipo A / Tipo B
🤰
Eclâmpsia / Pré-eclâmpsia
Gestante · Puerpério
🏥
Pós-operatório
Elevação reativa · Dor
Cenários
🧠 Encefalopatia / AVC Hemorrágico
Cefaleia intensa · confusão mental · déficit focal · hemorragia intracraniana confirmada
Metas de PA
Encefalopatia hipertensiva
↓ 20–25% na 1ª hora
AVC hemorrágico (PAS 150–220)
Meta PAS < 140 mmHg
AVC hemorrágico (PAS > 220)
↓ 20–25% gradual — evitar hipotensão
Evitar
PA < 130/80 — risco de hipoperfusão
Fármacos
Labetalol IV 1ª linha
20 mg IV em 2 min · Repetir 40–80 mg a cada 10 min · Máx 300 mg/dose · Infusão: 0,5–2 mg/min
Nicardipina IV
5 mg/h IV · Titular 2,5 mg/h a cada 5–15 min · Máx 15 mg/h
Esmolol IV
Bolus 500 µg/kg em 1 min · Infusão 50–200 µg/kg/min
Nitroprussiato: evitar em AVC hemorrágico — eleva pressão intracraniana. Hidralazina: evitar — queda imprevisível.
Cenários
🩸 AVC Isquêmico
Déficit neurológico focal agudo · janela terapêutica < 4,5 h
Metas de PA
Não elegível para trombólise
Tratar PA > 220/120 mmHg
Se elegível para trombólise
PAS < 185/110 mmHg antes do rtPA
Após trombólise
Manter PA < 180/105 mmHg por 24h
Redução máxima permitida
15% — autoregulação comprometida
Fármacos
Labetalol IV 1ª linha
10–20 mg IV em 1–2 min · Repetir a cada 10 min · Máx 150 mg · Controle gradual e previsível sem vasodilatação cerebral
Calculador — Labetalol (AVC isquêmico)
Nº bolus administrados
Nicardipina IV 1ª linha
5 mg/h · Titular 2,5 mg/h a cada 5–15 min · Máx 15 mg/h · Bloqueador de canal de cálcio diidropiridínico — titulação fina, sem efeito sobre PIC
Calculador — Nicardipina (taxa de infusão)
Taxa mg/h
Urapidil IV 2ª linha
Bolus 10–50 mg IV lento · Infusão 9–30 mg/h · Antagonista α₁ + agonista 5-HT1A · Não eleva PIC · Sem taquicardia reflexa · Preferido em protocolos europeus (ESO 2021)
Esmolol IV 2ª linha
Bolus 500 µg/kg em 1 min · Infusão 50–200 µg/kg/min · Meia-vida ~9 min · Preferir se taquicardia associada
Clevidipina IV 2ª linha
1–2 mg/h IV · Dobrar a dose a cada 90 seg até efeito · Máx 32 mg/h · Bloqueador de canal de cálcio de ação ultrarrápida (meia-vida ~1 min) · Titulação muito precisa · Disponibilidade limitada no Brasil
Hipotensão é mais perigosa que hipertensão no AVC isquêmico agudo. Não tratar se PA < 220/120 mmHg sem trombólise planejada.
Contraindicados: Nitroprussiato — vasodilatação cerebral, risco de roubo, eleva PIC · Hidralazina — queda imprevisível, taquicardia reflexa · Nitroglicerina — vasodilatação venosa cerebral, eleva PIC · Nifedipina SL — hipotensão abrupta e imprevisível
Cenários
❤️ Síndrome Coronariana Aguda
Dor torácica · alteração de ECG · troponina · IAM com ou sem supra
Metas de PA
Meta de PA sistólica
< 140 mmHg
Atenção diastólica
Não reduzir PAD < 60 — risco de isquemia coronariana
Ritmo de redução
Gradual · monitorizar sinais de hipoperfusão
Fármacos
Nitroglicerina IV 1ª linha
5–10 µg/min IV · Titular 5 µg/min a cada 5 min · Máx 200 µg/min · Ação dupla: ↓ PA + vasodilatação coronariana
Metoprolol IV Betabloqueador 1ª linha
5 mg IV em 2 min · Repetir a cada 5 min · Máx 15 mg
Iniciar nas primeiras 24 h se ausência de contraindicações (ESC 2023 Classe I/A para FEVE ≤ 40%; Classe IIa/B para todos os pacientes com SCA)
Esmolol IV
Bolus 500 µg/kg em 1 min · Infusão 50–200 µg/kg/min · Meia-vida ~9 min — preferir quando taquicardia intensa ou instabilidade hemodinâmica iminente
Labetalol IV
20 mg IV · Alternativa quando betabloqueador puro insuficiente · Ação α+β
FC e MVO₂: dobrar a frequência cardíaca aproximadamente dobra o consumo de O₂ miocárdico — cada ciclo de tensão adicional por minuto aumenta proporcionalmente a demanda metabólica. Betabloqueadores reduzem MVO₂ por três mecanismos simultâneos: ↓ FC, ↓ inotropismo e ↓ PA — e aumentam a perfusão coronariana ao prolongar o tempo de enchimento diastólico.
Sarnoff et al., Am J Physiol 1957 · Nelson et al., Circulation 1974
Nitroprussiato: evitar — fenômeno de roubo coronariano. Hidralazina: evitar — taquicardia reflexa aumenta MVO₂. Betabloqueadores contraindicados se: BAV de 2º/3º grau, broncoespasmo ativo, choque cardiogênico, ICC descompensada aguda.
Cenários
🫁 Edema Agudo de Pulmão
Dispneia grave · crepitações · hipoxemia · congestão pulmonar
Classificação etiológica
EAP Cardiogênico Hipertensivo
Disfunção ventricular esquerda · hipertensão grave · isquemia miocárdica · valvopatia · sobrecarga de volume · aumento da pressão capilar pulmonar
EAP Não Cardiogênico
SDRA · sepse · broncoaspiração · transfusão (TRALI) · altitude · neurogênico · lesão inalatória
EAP Ex Vacuum Tratamento específico
Tratamento: CPAP/BiPAP exclusivamente · Mecanismo: esforço inspiratório contra glote fechada
Metas de PA — EAP cardiogênico
Meta PA sistólica
↓ 20–30% na 1ª hora
SpO₂
> 95% com VNI
Fármacos — EAP cardiogênico
Nitroglicerina IV 1ª linha
10–20 µg/min IV · Titular até 200 µg/min · Reduz pré-carga e pós-carga simultaneamente
Nitroprussiato IV
0,3–0,5 µg/kg/min IV · Titular até 10 µg/kg/min · Potente vasodilatador misto · Evitar se isquemia coronariana associada
Furosemida IV
40–80 mg IV · Efeito vasodilatador imediato antes da diurese · Redução da pré-carga
VNI (CPAP/BiPAP) é medida adjuvante essencial no EAP cardiogênico — reduz trabalho respiratório, melhora oxigenação e diminui pré e pós-carga pelo aumento da pressão intratorácica
EAP ex vacuum: CPAP/BiPAP exclusivamente
Cenários
🔪 Dissecção Aórtica
Dor torácica/dorsal em "rasgão" · assimetria de pulsos · alargamento mediastinal
Classificação e decisão cirúrgica
Tipo A — Ascendente Cirurgia de emergência
Envolve aorta ascendente · Classe I — cirurgia imediata (ESC 2024, EACTS/STS 2024) · Mortalidade sem cirurgia: ~33% em 24h · 50% em 48h · 75% em duas semanas (IRAD) · Acionar CCV imediatamente
Tipo B — Descendente Controle clínico
Não envolve aorta ascendente · Tratamento clínico se não complicado · TEVAR indicado se complicado: ruptura, malperfusão, expansão rápida, dor refratária (STS/AATS 2022)
Metas hemodinâmicas — URGÊNCIA MÁXIMA
PA sistólica alvo
100–120 mmHg
FC alvo
60–80 bpm
Tempo para atingir meta
10–20 min
Monitorização
Arterial invasiva bilateral + ECG
Fármacos
Esmolol IV 1ª linha FC
Bolus 500 µg/kg em 1 min · Infusão 50–300 µg/kg/min · Controlar FC antes de vasodilatador
Metoprolol IV
5 mg IV a cada 5 min · Máx 15 mg · Alternativa ao esmolol
Labetalol IV
20 mg IV em 2 min · Efeito α+β — controla FC e PA simultaneamente · Infusão 2 mg/min
Nitroprussiato IV Adjuvante PA
0,3–0,5 µg/kg/min · Usar após betabloqueador — nunca isolado
Morfina IV
2–4 mg IV · Analgesia — reduz resposta adrenérgica à dor · Componente essencial do controle anti-impulsivo
NUNCA iniciar vasodilatador puro sem betabloqueador — taquicardia reflexa aumenta estresse parietal aórtico e propaga a dissecção
Checklist — Tipo A · Mobilização cirúrgica
Acionar CCV imediatamente — cirurgia cardiovascular + anestesia cardiovascular + perfusionista · suspeita clínica é suficiente
Reserva de sangue — CH 6–10 U · PFC 6 U · Plaquetas 1 aférese · Crioprecipitado 10 U · relação CH:PFC 1:1
Acesso venoso — dois periféricos 14G + CVC · cateter arterial bilateral (radial D + radial E ou femoral) · SVD
Exames laboratoriais — tubo seco: troponina, função renal, LDH · EDTA: hemograma, tipagem e prova cruzada · citrato: TP, TTPA, fibrinogênio, D-dímero · seringa heparinizada: gasometria arterial, lactato
Imagem — angioTC aorta (tórax + abdome + pelve) · EcoTE se instabilidade impede TC · não retardar cirurgia em Tipo A instável
Anticoagulantes e antiagregantes — suspender anticoagulação oral · registrar antiagregantes · não heparinizar antes da cirurgia
Encaminhamento — se sem CCV no serviço: acionar centro de referência e manter controle anti-impulsivo no transporte
Tipo B complicado: TEVAR é o padrão-ouro quando anatomia favorável · Indicações: ruptura, malperfusão de órgãos, expansão rápida (> 10 mm em 24h), dor refratária ao tratamento clínico · Acionar CCV e radiologia intervencionista (STS/AATS 2022; ESC 2024)
Referências
Isselbacher EM, Preventza O, Black JH III, et al. 2022 ACC/AHA Guideline for the Diagnosis and Management of Aortic Disease. J Am Coll Cardiol. 2022;80(24):e223–e393.
Czerny M, Grabenwöger M, Berger T, et al. EACTS/STS Guidelines for Diagnosing and Treating Acute and Chronic Syndromes of the Aortic Organ. Eur J Cardiothorac Surg. 2024;65(1):ezad426.
Erbel R, Aboyans V, Boileau C, et al. 2014 ESC Guidelines on the Diagnosis and Treatment of Aortic Diseases — updated references ESC 2024 PAD Guidelines.
Cenários
🤰 Eclâmpsia / Pré-eclâmpsia Grave
PA ≥ 160/110 · proteinúria · convulsões · síndrome HELLP · gestante ou puérpera
Metas de PA
PA sistólica alvo
140–155 mmHg
PA diastólica alvo
90–105 mmHg
Não reduzir abaixo de
130/80 — risco de hipoperfusão uteroplacentária
Fármacos
Hidralazina IV 1ª linha
5–10 mg IV em bolus lento · Repetir a cada 20 min · Máx 30 mg · Extensa experiência na gestação
Labetalol IV
20 mg IV · Repetir 40–80 mg a cada 10 min · Máx 300 mg · Boa evidência em gestação
Nicardipina IV
5 mg/h · Titular até 15 mg/h · Alternativa quando labetalol indisponível
Sulfato de Magnésio IV Anticonvulsivante
Ataque: 4–6 g IV em 15–20 min · Manutenção: 1–2 g/h · Não é anti-hipertensivo — previne convulsões
IECA e ARA-II são CONTRAINDICADOS na gestação — teratogênicos. Nitroprussiato: evitar — toxicidade por cianeto no feto.
Resolução definitiva: parto. Acionar obstetricia e UTI neonatal. Vigilância de toxicidade do magnésio: reflexos patelares, SpO₂, diurese.
Cenários
🏥 SRPA
Hipertensão pós-operatória
Causas a excluir
1. Dor
Avaliar pela Escala Numérica Verbal (ENV 0–10) ou Escala Visual Analógica (EVA)
ENV/EVA ≤ 3: leve · 4–6: moderada · ≥ 7: intensa
Analgesia adequada (ver escala abaixo)
2. Retenção urinária
SVA ou verificar obstrução de SVD
3. Hipotermia / tremores
Aquecimento ativo — manta térmica, fluidos aquecidos
4. Hipoxemia / hipercapnia
Faça gasometria arterial
Aumente a fração inspirada de oxigênio
Eleve a cabeceira a 30° se estabilidade hemodinâmica
Se pupilas mióticas e FR < 8 irpm: naloxona 0,04–0,08 mg IV a cada 2–3 min (dose baixa — evitar reversão analgésica abrupta)
5. Ansiedade / agitação
Dexmedetomidina IV — Ataque: 0,5–1 µg/kg em 10 min · Manutenção: 0,2–0,7 µg/kg/h · sedação leve sem depressão respiratória · efeito co-analgésico · opção preferencial na SRPA
Não há guideline específica para sedação na SRPA em adultos · Feng et al., Trials 2021 · PADIS/SCCM 2018
6. Hipervolemia
Avaliar balanço hídrico · considerar furosemida se congestão evidente
Escala de Dor — ENV / EVA
ESCORE
INTENSIDADE
CONDUTA
0–3
Leve
Dipirona ou paracetamol IV
4–6
Moderada
AINE IV + opioide fraco (tramadol)
7–10
Intensa
Opioide forte IV (morfina, fentanil) ± adjuvante
Metas de PA
Meta geral
Redução de 20–25% sobre a PA pré-operatória
Cirurgia vascular / cardíaca
PAS < 140 mmHg estrito
Neurocirurgia
Individualizar — risco de hipertensão intracraniana
Fármacos
Labetalol IV 1ª linha geral
20 mg IV em 2 min · Repetir a cada 10 min · Máx 300 mg
Esmolol IV
Bolus 500 µg/kg · Infusão 50–200 µg/kg/min · Preferir quando taquicardia associada
Metoprolol IV
5 mg IV a cada 5 min · Máx 15 mg · Boa opção no pós-operatório cardíaco
Nicardipina IV
5 mg/h · Titular até 15 mg/h · Excelente para neurocirurgia
Clonidina IV
150–300 µg IV lento em 10 min · Útil quando ansiedade/dor contribuem
Nitroglicerina IV
5–10 µg/min · Preferir se isquemia miocárdica ou pós-operatório de revascularização
Iniciar anti-hipertensivos prévios assim que viável
Cuidados pós-crise
Monitorização
1. Pressão arterial invasiva (cateter arterial) — padrão-ouro para monitorização contínua em emergência hipertensiva; instalar assim que possível · Se indisponível: PA não invasiva a cada 15 min nas primeiras 2 h, depois a cada 30 min
2. ECG contínuo — isquemia silenciosa, arritmia, sobrecarga ventricular
3. Diurese horária — sonda vesical · meta > 0,5 mL/kg/h
4. POCUS ocular — sonda linear alta frequência 5–14 MHz · preset ocular · pálpebra fechada com gel abundante · bainha do nervo óptico > 5 mm a 3 mm atrás do globo = hipertensão intracraniana
5. Fundo de olho (oftalmoscopia com midríase — tropicamida 1%) — papiledema, hemorragias em chama, exsudatos algodonosos · Classificação Keith-Wagener-Barker (ver quadro)
6. Avaliação neurológica seriada — Glasgow, déficit focal, NIHSS simplificado (ver quadro)
Laboratório
1. Creatinina e ureia
2. hs-Troponina 0h e 1–2h (protocolo ESC 0h/1h ou 0h/2h)
3. Uroanálise — proteinúria, cilindrúria
4. Gasometria arterial se SpO₂ alterada
5. Se gestante: hemograma com pesquisa de esquizócitos · contagem plaquetária · LDH · AST · ALT (plaquetopenia é o sinal mais precoce da síndrome HELLP)
Seguimento
Iniciar anti-hipertensivos prévios
Não suspender betabloqueadores abruptamente
Registro em prontuário: PA pré-tratamento, fármacos, doses e resposta
Acompanhamento ambulatorial com cardiologista
Investigar causa secundária se crise refratária ou recorrente
Classificação de Keith-Wagener-Barker — Retinopatia Hipertensiva
GRAU
ACHADOS
I
Estreitamento arteriolar leve · aumento do reflexo arteriolar ("fio de cobre") · sem cruzamentos patológicos
II
Estreitamento arteriolar moderado · sinal de cruzamento arteriovenoso (sinal de Gunn) · reflexo arteriolar em "fio de prata"
III
Hemorragias retinianas (em chama, puntiformes) · exsudatos algodonosos · exsudatos duros · LOA confirmada
IV
Papiledema (edema do disco óptico) · todos os achados do grau III · emergência hipertensiva — LOA grave
Graus III e IV classificam emergência hipertensiva independentemente dos sintomas · Keith NM, Wagener HP, Barker NW. Arch Intern Med. 1939;64(2):259–273.
NIHSS Simplificado — Avaliação Neurológica à Beira do Leito
ITEM
PONTOS
Nível de consciência (alerta=0 · sonolento=1 · estuporoso=2 · coma=3)
0–3
Resposta a perguntas — mês e idade (ambas corretas=0 · uma=1 · nenhuma=2)
0–2
Olhar conjugado (normal=0 · paresia parcial=1 · desvio forçado=2)
0–2
Campo visual (sem perda=0 · hemianopsia parcial=1 · hemianopsia completa=2 · cegueira bilateral=3)
0–3
Paralisia facial (normal=0 · leve=1 · parcial=2 · completa=3)
0–3
Motor MMSS — braço D e E (sem queda=0 · queda antes de 10s=1 · cai antes de 10s=2 · sem esforço anti-gravidade=3 · sem movimento=4)
0–4 cada
Motor MMII — perna D e E (mesmos critérios, sustentação a 30°)
0–4 cada
Linguagem/afasia (normal=0 · afasia leve=1 · afasia grave=2 · mudo/global=3)
0–3
Disartria (normal=0 · leve-moderada=1 · grave=2)
0–2
LEVE
1–4 pontos
MODERADO
5–15 pontos
GRAVE
16–20 pontos
MUITO GRAVE
21–42 pontos
Checklist de controle
Meta de PA atingida e estável
LOA avaliada e documentada
ECG realizado
Creatinina e hs-troponina solicitadas
POCUS ocular ou fundo de olho realizado
Início dos anti-hipertensivos prévios
Registro em prontuário
Agendamento de acompanhamento ambulatorial
Referências
Ver referências completas
Protocolos
Referência clínica
Escalas e Scores
Risco Perioperatório
🏥
Risco Perioperatório
ASA · RCRI · ESC · NSQIP
🩸
Tromboembolismo
Caprini · Padua
Neurológico
🧠
Neurológico
NIHSS · Glasgow
❤️
Cardiovascular
Killip · TIMI STEMI
Órgãos e Sistemas
🫘
Renal
KDIGO
🟡
Hepático
Child-Pugh · MELD-Na
⚠️
Sepse
SOFA · qSOFA
🤰
Obstétrico
HELLP
Escalas
ASA Physical Status
Classificação pré-anestésica · ASA 2020
Tabela
RCRI — Lee Index
Risco cardíaco em cirurgia não cardíaca
Calculadora
Risco Cirúrgico — ESC/ESA 2022
Estratificação por procedimento
Tabela
ACS NSQIP Calculator
Risco cirúrgico personalizado online
Link
Risco Perioperatório
ASA Physical Status
American Society of Anesthesiologists · Atualização 2020
ASADefiniçãoExemplos
IPaciente saudávelSem doença sistêmica
IIDoença sistêmica leveHAS controlada · DM2 · Obesidade (IMC 30–40) · Tabagismo · Gravidez
IIIDoença sistêmica graveHAS não controlada · DM2 com complicações · DPOC · FE 35–50% · IRC dialítica · História de IAM > 3 meses · AVC · IMC > 40
IVDoença sistêmica grave com risco de vidaIAM recente (< 3 meses) · AVC recente · Sepse · CIVD · FE < 25% · IRC com uremia
VPaciente moribundo sem expectativa sem cirurgiaRuptura de aneurisma · Politrauma grave · Isquemia mesentérica
VIMorte cerebral para doação de órgãos
Adicionar E (Emergency) ao sufixo em cirurgias de emergência — ex.: ASA III-E · Duplica aproximadamente a mortalidade perioperatória em relação ao procedimento eletivo equivalente
Risco Perioperatório
RCRI — Revised Cardiac Risk Index
Lee et al., Circulation 1999 · Validado ESC/ESA 2022
0
RCRI avalia risco de MACE (morte cardíaca, IAM, PCR não fatal) em cirurgia não cardíaca de médio/alto risco · Combinar com BNP/NT-proBNP e capacidade funcional (METs) para estratificação completa (ESC/ESA 2022)
Risco Perioperatório
Risco Cirúrgico — ESC/ESA 2022
Estratificação por procedimento · MACE a 30 dias
Risco baixo (< 1%)
Cirurgia superficial · mama · dentária · oftalmológica
Cirurgia endócrina: tireoide
Cirurgia ortopédica minor (joelho)
Revascularização carotídea assintomática (CEA ou CAS)
Ginecológica minor · urológica minor
Risco intermediário (1–5%)
Cirurgia intraperitoneal (colecistectomia, colectomia, esplenectomia)
Cirurgia ortopédica maior (quadril, coluna)
Cirurgia urológica maior (prostatectomia aberta, cistectomia)
Neurocirurgia intracraniana
Cirurgia de cabeça e pescoço
Transplante renal
Risco alto (> 5%)
Cirurgia aórtica e vascular maior
Revascularização infra-inguinal · amputação
Ressecção pulmonar major
Transplante hepático · pneumonectomia
Duodenopancreatectomia
Cirurgias de alto risco com RCRI ≥ 1 ou BNP elevado indicam avaliação cardiológica pré-operatória e monitorização perioperatória intensificada (ESC/ESA 2022 Classe I)
Escalas
Score de Caprini
Risco de TEV perioperatório
Calculadora
Score de Padua
Risco de TEV em paciente clínico
Calculadora
Tromboembolismo
Score de Caprini
Risco de TEV perioperatório · Gould et al., Chest 2012
1 ponto cada
2 pontos cada
3 pontos cada
5 pontos cada
0
Tromboembolismo
Score de Padua
TEV em pacientes clínicos internados · Barbar et al., J Thromb Haemost 2010
0
Escalas
NIHSS Simplificado
Déficit neurológico · AVC
Tabela
Glasgow Coma Scale
Nível de consciência
Calculadora
Neurológico
NIHSS Simplificado
National Institutes of Health Stroke Scale
ItemPontos
Nível de consciência (alerta=0 · sonolento=1 · estuporoso=2 · coma=3)0–3
Perguntas — mês e idade (ambas=0 · uma=1 · nenhuma=2)0–2
Olhar conjugado (normal=0 · paresia=1 · desvio forçado=2)0–2
Campo visual (normal=0 · parcial=1 · hemianopsia=2 · cegueira=3)0–3
Paralisia facial (normal=0 · leve=1 · parcial=2 · completa=3)0–3
Motor MMSS direito (0=normal → 4=sem movimento)0–4
Motor MMSS esquerdo0–4
Motor MMII direito (sustentação 30°)0–4
Motor MMII esquerdo0–4
Afasia (normal=0 · leve=1 · grave=2 · mudo=3)0–3
Disartria (normal=0 · leve=1 · grave=2)0–2
EscoreGravidadeConduta
0Normal
1–4LeveInternação · avaliação neurológica
5–15ModeradoAVC estabelecido · avaliar trombólise
16–20GraveUTI · neurologia · janela terapêutica
21–42Muito graveUTI · prognóstico reservado
Neurológico
Glasgow Coma Scale
Teasdale & Jennett, Lancet 1974
Abertura Ocular
Resposta Verbal
Resposta Motora
Escalas
Killip-Kimball
Gravidade da disfunção cardíaca no IAM
Tabela
TIMI Risk Score — STEMI
Mortalidade a 30 dias no IAM com supra
Calculadora
Cardiovascular
Classificação de Killip-Kimball
Disfunção ventricular no IAM · Killip & Kimball, Am J Cardiol 1967
ClasseAchados clínicosMortalidade hospitalar
ISem sinais de ICC~6%
IICrepitações em bases · B3 · PVJ elevada~17%
IIIEAP franco — crepitações difusas~38%
IVChoque cardiogênico — PAS < 90 + hipoperfusão~67–81%
Killip III e IV indicam necessidade de UTI coronariana, monitorização invasiva e suporte hemodinâmico precoce · Considerar balão intra-aórtico ou ECMO em Killip IV refratário
Cardiovascular
TIMI Risk Score — STEMI
Mortalidade a 30 dias · Morrow et al., Circulation 2000
0
Escalas
KDIGO — Lesão Renal Aguda
Kidney Disease: Improving Global Outcomes · 2012
Critérios diagnósticos (qualquer um)
Aumento de creatinina ≥ 0,3 mg/dL em 48 h
Aumento de creatinina ≥ 1,5× o basal em 7 dias
Diurese < 0,5 mL/kg/h por ≥ 6 h consecutivas
Estadiamento
EstádioCreatininaDiurese
11,5–1,9× basal ou ↑ ≥ 0,3 mg/dL< 0,5 mL/kg/h por 6–12 h
22,0–2,9× basal< 0,5 mL/kg/h por ≥ 12 h
3≥ 3,0× basal ou ≥ 4,0 mg/dL ou início de TRS< 0,3 mL/kg/h por ≥ 24 h ou anúria ≥ 12 h
Estádio 2–3: considerar nefrologista · Evitar nefrotóxicos · Ajuste de doses · TRS se indicada (acidose refratária, hipercalemia, uremia, hipervolemia)
Escalas
Child-Pugh
Gravidade da hepatopatia crónica
Calculadora
MELD-Na
Mortalidade em hepatopatia terminal
Calculadora
Hepático
Child-Pugh
Gravidade da hepatopatia crónica · Child & Turcotte 1964
Hepático
MELD-Na
Model for End-Stage Liver Disease · UNOS 2016
Creatinina (mg/dL)
Bilirrubina total (mg/dL)
INR
Sódio sérico (mEq/L)
Creatinina máxima para cálculo: 4,0 mg/dL · Se em diálise ≥ 2× na última semana: usar 4,0 mg/dL · Valores mínimos: creatinina, bilirrubina e INR ≥ 1,0
Escalas
SOFA Score
Disfunção orgânica · Sepse-3
Calculadora
qSOFA
Triagem rápida fora da UTI
Tabela
Sepse
SOFA Score
Sequential Organ Failure Assessment · Singer et al., JAMA 2016
0
Sepse = suspeita de infecção + ↑ SOFA ≥ 2 pontos · Choque séptico = sepse + vasopressor para PAM ≥ 65 + lactato > 2 mmol/L (Sepse-3, 2016)
Sepse
qSOFA
Quick SOFA — triagem rápida fora da UTI · Sepse-3 2016
CritérioValor
Frequência respiratória≥ 22 irpm
Alteração do estado mentalGlasgow < 15
Pressão arterial sistólica≤ 100 mmHg
PontuaçãoInterpretação
0–1Baixo risco de desfecho adverso
≥ 2Alto risco — investigar sepse · considerar UTI
qSOFA é ferramenta de triagem, não diagnóstica · qSOFA ≥ 2 em paciente com suspeita de infecção indica avaliação completa com SOFA · Sensibilidade menor que SOFA para diagnóstico de sepse
Escalas
Síndrome HELLP
Critérios diagnósticos · Weinstein 1982 · ACOG 2020
Critérios diagnósticos — todos necessários
CritérioValor diagnóstico
H — HemóliseLDH > 600 U/L · Esquizócitos no esfregaço · Bilirrubina total > 1,2 mg/dL
EL — Enzimas hepáticas elevadasAST > 70 U/L · ALT elevada
LP — Plaquetas baixasPlaquetas < 100.000/µL
Classificação de Mississippi (gravidade)
ClassePlaquetasLDHAST/ALT
I< 50.000≥ 600≥ 70
II50–100.000≥ 600≥ 70
III100–150.000≥ 600≥ 40
Plaquetopenia é o sinal mais precoce · Resolução definitiva: parto · Classe I: risco elevado de CID, hematoma hepático, rotura hepática
Protocolos
Protocolo · Cardiovascular
Infarto Agudo do Miocárdio
Anest · Stat
STEMI
NSTEMI / UA
Após Atendimento
Suporte clínico — não substitui julgamento médico.
STEMI — IAM com Supra de ST
Supra de ST ≥ 1 mm em ≥ 2 derivações contíguas, ou BRE novo · Oclusão coronariana total aguda · Emergência tempo-dependente
Critérios diagnósticos — ECG
TerritórioDerivaçõesArtéria provável
Anterior extensoV1–V6, I, aVLDA proximal
AnteriorV1–V4DA
LateralI, aVL, V5–V6CX / DA diagonal
InferiorII, III, aVFCD (70%) / CX
VDV4R (inferior + V4R)CD proximal
PosteriorV7–V9 · infra V1–V3CX / CD
BRE novoCritérios de SgarbossaDA / equivalente
Estratégia de reperfusão
ICP Primária 1ª escolha
Meta porta-balão: < 90 min (transferência direta) · < 120 min (transferência inter-hospitalar)
Preferir a trombólise em qualquer janela se disponível em tempo
Trombólise Se ICP indisponível
Janela: < 12 h do início dos sintomas · Benefício máximo: < 3 h
Porta-agulha: < 30 min
Alteplase: 15 mg IV bolus → 0,75 mg/kg em 30 min (máx 50 mg) → 0,5 mg/kg em 60 min (máx 35 mg)
Tenecteplase (TNK): dose única em bolus por peso (ver calculadora)
Tenecteplase (TNK) — Dose por peso
Peso kg
Contraindicações absolutas à trombólise: AVC hemorrágico prévio · AVC isquêmico < 3 meses · Neoplasia intracraniana · Cirurgia craniana < 3 meses · Sangramento ativo (exceto menstrual) · Suspeita de dissecção aórtica · TCE grave < 3 meses
Antiagregação plaquetária
AAS 1ª linha · imediato
Ataque: 300 mg VO mastigado · Manutenção: 100 mg/dia VO indefinido
Ticagrelor P2Y12 preferencial
Ataque: 180 mg VO · Manutenção: 90 mg 2×/dia por 12 meses
Contraindicado: AVC hemorrágico prévio · sangramento ativo · uso de anticoagulante oral
Clopidogrel Alternativa
Ataque: 600 mg VO (ICP) ou 300 mg (trombólise) · Manutenção: 75 mg/dia por 12 meses
Usar se ticagrelor indisponível ou contraindicado
Prasugrel Alternativa ICP
Ataque: 60 mg VO · Manutenção: 10 mg/dia (5 mg/dia se peso < 60 kg ou idade ≥ 75 anos)
Contraindicado: AVC/AIT prévio
Anticoagulação
Heparina Não Fracionada (HNF) ICP
Bolus IV guiado por TCA:
Sem inibidor GP IIb/IIIa: 70–100 UI/kg → meta TCA 250–350 s
Com inibidor GP IIb/IIIa: 50–70 UI/kg → meta TCA 200–250 s
Calculador — HNF bolus (ICP)
Peso kg
Enoxaparina STEMI + trombólise ou conservador
< 75 anos: bolus 30 mg IV → 15 min depois 1 mg/kg SC 12/12h
≥ 75 anos: sem bolus IV0,75 mg/kg SC 12/12h
IRC (ClCr < 30): 1 mg/kg SC 1×/dia
Calculador — Enoxaparina STEMI
Peso kg
Idade anos
Bivalirudina Alternativa ICP
Bolus 0,75 mg/kg IV → infusão 1,75 mg/kg/h durante ICP · Suspender após procedimento
Calculador — Bivalirudina
Peso kg
Adjuvantes
Betabloqueador IV Primeiras 24h se estável
Metoprolol: 5 mg IV a cada 5 min · Máx 3 doses → 25–50 mg VO 12/12h
Contraindicado: Killip ≥ III · BAV · broncoespasmo · FC < 60 · PAS < 90
Nitrato IV
Nitroglicerina 5–200 µg/min IV · Alívio da dor anginosa · Controle de PA
Contraindicado: PAS < 90 · uso de inibidor de PDE5 < 24–48h · IAM de VD
Morfina IV
2–4 mg IV · Repetir a cada 5–15 min se necessário · Máx 15 mg
Usar com cautela — associada a piora de desfechos em registros observacionais
Estatina de alta intensidade
Atorvastatina 40–80 mg VO ou Rosuvastatina 20–40 mg VO · Iniciar na admissão · Manter indefinidamente
IECA / BRA
Iniciar nas primeiras 24h se PAS > 100 · FEVE reduzida · ICC · DM · Preferir VO assim que tolerado
Classificar Killip na admissão — ver Escalas e Scores · Cardiovascular · Killip III–IV: suporte hemodinâmico, considerar ECMO
Complicações agudas
ComplicaçãoConduta imediata
Choque cardiogênicoNorepinefrina + dobutamina · ICP emergencial · considerar ECMO · Killip IV
FV / TV sem pulsoDesfibrilação imediata · ver protocolo PCR · amiodarona IV
BAV de alto grauAtropina 0,5–1 mg IV · MP transcutâneo · MP transvenoso urgente
Fibrilação atrialCardioversão elétrica se instável · betabloqueador / amiodarona se estável
Rotura de septo / parede livreCirurgia emergencial · suporte com ECMO/BIAC
Regurgitação mitral agudaCirurgia urgente · nitroprussiato IV · BIAC
Suporte clínico — não substitui julgamento médico.
NSTEMI / Angina Instável
Sem supra de ST persistente · hs-troponina elevada (NSTEMI) ou normal (UA) · Isquemia sem oclusão coronariana total
Diagnóstico — protocolo 0h/1h
Tempohs-TroponinaDecisão
0hColeta na admissãoValor absoluto + clínica
1hRepetir em 1 horaDelta < limiar = baixo risco · Delta ≥ limiar = NSTEMI
2–3hAlternativa se 1h indisponívelProtocolo 0h/2h ou 0h/3h
Angina instável = hs-troponina negativa nos dois tempos + clínica típica · Ambas exigem estratificação de risco e antiagregação
Estratificação de risco — GRACE Score
Risco GRACEScoreMortalidade intra-hospitalarEstratégia
Baixo< 109< 1%Conservadora · cinecoronariografia eletiva
Intermediário109–1401–3%Invasiva precoce (24–72h)
Alto> 140> 3%Invasiva imediata (< 24h)
Invasiva imediata (< 2h) independente do GRACE: instabilidade hemodinâmica · choque cardiogênico · dor refratária · arritmias graves · FE < 40% · complicações mecânicas
Antiagregação plaquetária
AAS Imediato
Ataque: 300 mg VO mastigado · Manutenção: 100 mg/dia indefinido
Ticagrelor P2Y12 preferencial
Ataque: 180 mg VO · Manutenção: 90 mg 2×/dia por 12 meses · Iniciar na admissão independente da estratégia
Clopidogrel Alternativa
Ataque: 300–600 mg VO · Manutenção: 75 mg/dia · Usar se ticagrelor contraindicado
Prasugrel não iniciar antes da cinecoronariografia no NSTEMI — aguardar anatomia coronariana conhecida
Anticoagulação
Enoxaparina 1ª linha
1 mg/kg SC 12/12h · Ajuste: ClCr < 30 → 1 mg/kg 1×/dia
Manter até ICP ou alta
Calculador — Enoxaparina NSTEMI
Peso kg
HNF Alternativa
Bolus 60–70 UI/kg IV (máx 5000 UI) → infusão 12–15 UI/kg/h (máx 1000 UI/h) · Meta TTPA: 50–70 s
Fondaparinux Conservador
2,5 mg SC 1×/dia · Preferir em risco hemorrágico elevado · Não usar como anticoagulante único em ICP
Adjuvantes
Betabloqueador VO Primeiras 24h se estável
Metoprolol 25–50 mg VO 12/12h · Atenolol 25–50 mg/dia
Contraindicado: Killip ≥ III · BAV · broncoespasmo · FC < 60
Nitrato
Nitroglicerina SL ou IV se dor persistente · Contraindicado: PAS < 90 · inibidor de PDE5
Estatina de alta intensidade
Atorvastatina 40–80 mg ou Rosuvastatina 20–40 mg · Iniciar na admissão
IECA / BRA
Iniciar nas primeiras 24h se PAS > 100 · Manter indefinidamente se FEVE reduzida ou DM
Monitorização
Parâmetros contínuos
1. Monitorização cardíaca contínua — mínimo 24h (STEMI) / até estratificação (NSTEMI)
2. Pressão arterial invasiva — se instabilidade hemodinâmica ou Killip ≥ II
3. SpO₂ — alvo ≥ 95% · O₂ suplementar só se hipoxemia (evitar hiperóxia)
4. Diurese horária — sonda vesical se Killip ≥ II
5. ECG seriado — na admissão, 60–90 min pós-reperfusão, 6h, 24h e na alta
Laboratório
Exames seriados
hs-Troponina 0h, 1–2h, 6h e 12–24h
Hemograma · coagulação · função renal · eletrólitos · glicemia
Perfil lipídico na admissão (jejum ou não)
Gasometria arterial se hipoxemia ou instabilidade
Ecocardiograma — avaliar FEVE, complicações mecânicas, cinética segmentar
Seguimento
Alta e orientações
DAPT por 12 meses (AAS + P2Y12) — não suspender sem orientação cardiológica
Estatina de alta intensidade indefinida
IECA/BRA + betabloqueador se FEVE < 40%
Reabilitação cardíaca — iniciar antes da alta ou em até 35 dias
Controle estrito de fatores de risco: PA, LDL < 55 mg/dL, HbA1c, tabagismo
Retorno cardiológico em 2–6 semanas
Checklist — STEMI
ECG 12 derivações realizado em < 10 min da chegada
Estratégia de reperfusão definida e equipe acionada
AAS 300 mg administrado
P2Y12 (ticagrelor/clopidogrel) administrado
Anticoagulação iniciada (HNF/enoxaparina/bivalirudina)
Killip classificado
Acesso venoso periférico calibroso × 2
Monitorização cardíaca contínua instalada
Desfibrilador disponível à beira do leito
Estatina de alta intensidade prescrita
Ecocardiograma solicitado
Consentimento informado assinado (ICP/trombólise)
Ver referências completas
Byrne RA, Rossello X, Coughlan JJ, et al. 2023 ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes. Eur Heart J. 2023;44(38):3720–3826.
O'Gara PT, Kushner FG, Ascheim DD, et al. 2013 ACCF/AHA Guideline for the Management of ST-Elevation Myocardial Infarction. J Am Coll Cardiol. 2013;61(4):e78–e140.
Amsterdam EA, Wenger NK, Brindis RG, et al. 2014 AHA/ACC Guideline for the Management of Patients with Non–ST-Elevation Acute Coronary Syndromes. J Am Coll Cardiol. 2014;64(24):e139–e228.
Collet JP, Thiele H, Barbato E, et al. 2020 ESC Guidelines for the management of NSTE-ACS. Eur Heart J. 2021;42(14):1289–1367.
Morrow DA, Antman EM, Charlesworth A, et al. TIMI risk score for ST-elevation myocardial infarction: a convenient, bedside, clinical score for risk assessment at presentation. Circulation. 2000;102(17):2031–2037.
Killip T, Kimball JT. Treatment of myocardial infarction in a coronary care unit. Am J Cardiol. 1967;20(4):457–464.
Protocolos
Protocolo · Neurológico
AVC Isquêmico Agudo
Anest · Stat
Diagnóstico
Tratamento
Após Atendimento
Suporte clínico — não substitui julgamento médico.
AVC Isquêmico Agudo
Déficit neurológico focal de início súbito · Oclusão arterial cerebral · Emergência tempo-dependente — "Time is brain": 1,9 milhões de neurônios perdidos por minuto sem reperfusão
Reconhecimento clínico — FAST
SinalAchado
F — FaceAssimetria facial · desvio de rima · paralisia
A — ArmsFraqueza de MMSS · queda de um braço ao elevar ambos
S — SpeechDisartria · afasia · fala arrastada ou incompreensível
T — TimeAnotar hora exata do início dos sintomas ou última vez visto bem
Avaliação neurológica — NIHSS
Aplicar NIHSS na admissão e repetir após reperfusão · Ver Escalas e Scores → Neurológico → NIHSS para tabela completa
NIHSSGravidadeConduta
1–4LeveAvaliar trombólise · internação
5–15ModeradoTrombólise + avaliar trombectomia
16–20GraveUTI · trombólise + trombectomia
21–42Muito graveUTI · trombectomia preferencial
Neuroimagem — protocolo de urgência
TC de crânio sem contraste 1ª linha · imediato
Excluir hemorragia intracraniana antes de qualquer trombólise · Meta: porta-imagem < 25 min
Angiotomografia cerebral + tronco
Avaliar oclusão de grande vaso (OGV) para indicação de trombectomia mecânica · Simultânea à TC sem contraste quando possível
TC de perfusão ou RM com DWI/PWI
Janela estendida (4,5–24h) para trombectomia · Identificar penumbra isquêmica viável · Protocolos DAWN e DEFUSE-3
Exames laboratoriais
ExameObjetivo
Glicemia capilarImediato — excluir hipoglicemia como causa
Hemograma · coagulação (TP, TTPA, INR) · plaquetasContraindicações à trombólise
Função renal · eletrólitosAntes de contraste iodado
ECG 12 derivaçõesFibrilação atrial como causa cardioembólica
hs-TroponinaAVC mimetizando ou associado a SCA
Não aguardar resultado de coagulação para indicar trombólise se não há histórico de anticoagulação ou coagulopatia conhecida · Cada minuto de atraso = maior déficit neurológico
Suporte clínico — não substitui julgamento médico.
Janelas terapêuticas
0–4,5h
Trombólise
rtPA IV · Tenecteplase
0–24h
Trombectomia
OGV · penumbra viável
Trombólise IV — rtPA (Alteplase)
Alteplase (rtPA) 0–4,5h
Dose total: 0,9 mg/kg IV (máx 90 mg)
10% da dose em bolus IV em 1 min → 90% restantes em infusão de 60 min
Calculador — Alteplase (rtPA)
Peso kg
Tenecteplase (TNK) Alternativa · AHA 2023
0,25 mg/kg IV bolus único (máx 25 mg) · Janela 0–4,5h · Preferencial se trombectomia planejada
Não inferior ao rtPA em ensaios randomizados recentes
Calculador — Tenecteplase AVC (0,25 mg/kg)
Peso kg
Critérios para trombólise
Inclusão (todos necessários)
Déficit neurológico mensurável · TC sem hemorragia · Início < 4,5h (ou acordou com déficit e última vez bem < 4,5h) · Idade ≥ 18 anos
Contraindicações absolutas
AVC hemorrágico prévio · Neoplasia intracraniana · Cirurgia intracraniana/medular < 3 meses · TCE grave < 3 meses · Hemorragia ativa grave · Suspeita de dissecção aórtica · INR > 1,7 · Heparina < 48h com TTPA elevado · DOAC nas últimas 48h
Contraindicações relativas (avaliar risco-benefício)
AVC isquêmico < 3 meses · NIHSS > 25 (grave) · Cirurgia de grande porte < 14 dias · PA > 185/110 não controlável · Glicemia < 50 ou > 400 mg/dL · Plaquetas < 100.000 · Gravidez
Controle de pressão arterial
Não elegível para trombólise
Tratar PA > 220/120 mmHg
Antes do rtPA/TNK
PAS < 185/110 mmHg
Após trombólise — 24h
Manter PA < 180/105 mmHg
Redução máxima
15% — autoregulação comprometida
Fármacos para controle de PA no AVC: ver Crise Hipertensiva → Emergência → AVC Isquêmico para doses, calculadoras e contraindicações completas
Trombectomia mecânica
Indicação OGV confirmada
Oclusão de grande vaso (carótida interna, M1/M2, basilar) na angioTC
NIHSS ≥ 6 · ASPECTS ≥ 6 (janela precoce) ou penumbra viável (janela estendida)
Janela 0–6h: indicação estabelecida
Janela 6–24h: protocolos DAWN (NIHSS ≥ 10 + déficit/infarto) e DEFUSE-3 (penumbra na perfusão)
Combinação com trombólise
Se elegível para rtPA e trombectomia: iniciar rtPA IV sem aguardar resultado da trombectomia ("bridging") · Transferir imediatamente para centro com hemodinâmica
Suporte geral
Glicemia
Meta: 140–180 mg/dL · Hipoglicemia (< 60 mg/dL) trata imediatamente com glicose IV · Hiperóxia piora prognóstico
Temperatura
Meta: < 37,5°C · Febre aumenta lesão isquêmica · Paracetamol 1g IV se temperatura > 37,5°C
Oxigenação
O₂ suplementar só se SpO₂ < 95% · Evitar hiperóxia · IOT se Glasgow ≤ 8 ou proteção de via aérea comprometida
Hidratação
SF 0,9% IV · Evitar hipotônicas (pioram edema cerebral) · Restrição hídrica só se SIADH
Antiagregação e anticoagulação
AAS Iniciar após 24h do rtPA
300 mg VO attack → 100 mg/dia indefinido · Se não trombólise: iniciar em 24–48h
AAS + Clopidogrel — AIT e AVC leve NIHSS ≤ 3
POINT/CHANCE: AAS 100 mg + Clopidogrel 75 mg/dia por 21 dias → AAS isolado
Iniciar em até 24h do evento · Reduz recorrência precoce
Anticoagulação — FA como causa
DOAC ou warfarina · Iniciar após 2–14 dias do AVC (dependendo da extensão do infarto e PA controlada) · Não anticoagular na fase aguda sem indicação específica
Anticoagulação plena nas primeiras 24h é contraindicada após trombólise — risco de transformação hemorrágica
Monitorização
Parâmetros contínuos — UTI / Stroke Unit
1. PA não invasiva a cada 15 min nas primeiras 2h → a cada 30 min por 6h → horária
2. Monitorização cardíaca contínua por 72h — detectar FA paroxística
3. SpO₂ contínua · glicemia de 6/6h nas primeiras 24h
4. Temperatura de 4/4h — tratar febre agressivamente
5. NIHSS a cada 4–6h nas primeiras 24h · piora ≥ 4 pontos = deterioração neurológica
6. TC ou RM de controle em 24h após trombólise ou deterioração
Seguimento
Investigação etiológica
Holter 24h ou monitorização cardíaca prolongada (30 dias) — FA paroxística
Ecocardiograma transtorácico ± transesofágico
Doppler de carótidas e vertebrais
Perfil lipídico completo · hemograma · coagulação · trombofilia se jovem
RM de crânio com DWI para caracterização do infarto
Prevenção secundária
AAS 100 mg/dia indefinido (ou DAPT por 21 dias se AIT/AVC leve)
Anticoagulação se FA confirmada (DOAC preferencial)
Estatina de alta intensidade — LDL alvo < 55 mg/dL (AVC aterosclerótico)
Controle rigoroso de PA — meta < 130/80 mmHg após fase aguda
Reabilitação multidisciplinar — iniciar precocemente na internação
Checklist — AVC isquêmico agudo
Hora de início dos sintomas registrada (ou última vez visto bem)
NIHSS aplicado e registrado
TC de crânio sem contraste realizada (meta < 25 min)
Glicemia capilar verificada — hipoglicemia excluída
Elegibilidade para trombólise avaliada
PA controlada (< 185/110) antes do rtPA
rtPA ou TNK administrado (se elegível) — dose e hora registradas
AngioTC realizada — OGV avaliada para trombectomia
Neurorradiologia intervencionista acionada se OGV
Monitorização cardíaca instalada — FA paroxística investigada
AAS iniciado após 24h (pós-trombólise) ou em 24–48h (sem trombólise)
Internação em Stroke Unit ou UTI neurológica
Ver referências completas
Powers WJ, Rabinstein AA, Ackerson T, et al. 2019 AHA/ASA Guidelines for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke. Stroke. 2019;50(12):e344–e418.
Turc G, Bhogal P, Fischer U, et al. European Stroke Organisation (ESO) — ESMINT Guidelines on Mechanical Thrombectomy in Acute Ischaemic Stroke. Eur Stroke J. 2019;4(1):6–12.
Jovin TG, Chamorro A, Cobo E, et al. Thrombectomy within 8 hours after symptom onset in ischemic stroke (DAWN trial). N Engl J Med. 2015;372:2296–2306. [DEFUSE-3: Albers GW et al., NEJM 2018]
Wang Y, Wang Y, Zhao X, et al. Clopidogrel with aspirin in acute minor stroke or transient ischemic attack (CHANCE). N Engl J Med. 2013;369:11–19.
Johnston SC, Easton JD, Farrant M, et al. Clopidogrel and aspirin in acute ischemic stroke and TIA (POINT). N Engl J Med. 2018;379:215–225.
Khatri P, Hacke W, Fiehler J, et al. State of acute endovascular therapy: report from the 12th thrombolysis, thrombectomy, and acute stroke therapy conference. Stroke. 2015;46:1727–1734.
Tsivgoulis G, Katsanos AH, Sandset EC, et al. Tenecteplase versus alteplase for acute ischaemic stroke — NOR-TEST 2. Lancet Neurol. 2023;22(9):786–795.